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DEPOIMENTO  DE OSVALDO SANTOS FUNDADOR DA GALERIA DE ARTE ZÉ DE DOME

O TRABALHO E AS MOLDURAS

Comecei a trabalhar aos quatorze anos de idade, com um senhor marceneiro de nome Tiago, na rua Esperanto nº 390. Aos dezenove anos fui trabalhar como marceneiro na Mobiliária Chique com o Senhor Abraão, onde fui considerado um dos melhores profissionais da época. Após dois anos e meio passei a trabalhar por conta própria no chamado “fundo de quintal”. Depois de uma temporada sem serviço meu compadre João Rosendo conseguiu com o Sr. Pedro Perdido que eu fosse diarista da Petromaq onde , após seis meses , fui contratado como trabalhador braçal e fiquei por lá três anos, saindo em dezembro de 1969 porque fui nomeado Faroleiro da Marinha de Guerra do Brasil. Em maio de 1971 fui transferido para o farol de Abrolhos/Ba, volt ando para Sergipe dois anos e três meses depois, a serviço da Capitania dos Portos , com o Comandante Roberto da Costa Ferrenho, hoje Almirante. Tendo gostado muito de sete molduras que fiz para ele, o Comandante Ferrenho me apresentou ao Dr. Marques Neto, superintendente da Petrobrás à época, que me levou ao Dr. Dênio, seu adjunto. Em seguida conheci o professor Paulo Mendonça e, através dele, ao artista plástico e professor de pintura Eurico Luiz. As pessoas citadas e os alunos de pintura divulgaram a qualidade do meu trabalho em molduras, a fraguesia aumentou e cheguei a trabalhar para cerca de 90 % da sociedade de Aracaju.

A GALERIA

A idéia da galeria surgiu nas muitas vezes que o Desembargador Rabelo Leite vinha encomendar molduras. Ele falava sempre que era necessário fazer um salão para atender as pessoas, pois algumas freguesas tinham problemas com o pó da madeira. Então comprei quatro metros a um vizinho e quatro a outro, e comecei a construção. Não tendo dinheiro suficiente, fui com o Desembargador Rabelo Leite falar com o Dr. Eliziário Sobral, que era diretor da Codise, e tomei quinhentos cruzeiros emprestados. Mesmo assim parei a obra por um ano, para poder pagar as dividas. Acompanhado outra vez do desembargador, consegui um empréstimo de dois mil e quinhentos cruzeiros no Sebrae , através do Dr. Álvaro. Nesse tempo eu fazia molduras para todos os artistas, e trocava parte do pagamento por quadros. Quando percebi já tinha mais de quinhentas telas. Foi quando pensei em fazer do Salão de atendimento a hoje Galeria José de Dome, pois tinha conhecido uma sobrinha desse grande artista sergipano , a qual me levou a conhecer sua irmã e seu tio, irmãos do citado pintor. E uma das principais incentivadoras da instalação desse espaço de arte foi também Ana Bastida. Idéia concretizada e acervo formado, a admiração pela arte foi mais e mais tomando conta de mim como o fogo na floresta em tempo de verão, hoje a Galeria de Arte José de Dome, mais que uma flor ou a própria luz da primavera, é uma casa de amigos.

AGRADECIMENTOS

Agradeço de todo coração aos meus incentivadores e aos artistas que ficaram comigo por mais de dez anos e aos que ainda estão , preferindo eu não citar nomes, até porque a lista seria realmente muito grande. Muito especialmente , quero agradecer também a todos os meus clientes e fregueses por vinte e dois anos de confiança. Sem eles não haveria Seu Osvaldo marceneiro, ou Seu Osvaldo moldureiro, nem a galeria José de Dome. E com fé em Deus  continuarei prestando serviço a todos, tentando sempre acertar, procurando sempre fazer o melhor.

Peço agora licença para nominar uns agradecimentos, pelo que representam : Fábio Dórea e Karla Campos, pessoas simplesmente incríveis, dois filhos que ganhei aos cinqüenta anos; e o Dr. Marcelo Ribeiro, que conheci antes de ser político e nunca mudou seu comportamento . Aos meus amigos de infância João Rosendo e Jackson Sales “ Nescal ”. Meu agradecimento comovido aos meus filhos  que me compreenderam nas horas difíceis de minha vida, aos meus genros, noras e netos. E a Dona Isabel, minha esposa, que me suporta há trinta e seis anos, por quem, sob juramento, daria minha vida. Por fim, mais não por ultimo, agradeço a Deus pai todo poderoso.

CONFISSÃO

Confesso que não foi fácil fazer este depoimento. Não é fácil abrir o peito e deixar o coração à mostra, expor a própria vida. Os poetas que me perdoem, mais cheguei a me sentir poeta, falando de coisas tão caras e profundas.

Osvaldo José dos Santos

Aju/Se 30/11/1994       

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